Pesquisa como tradução entre mundos
Minha trajetória acadêmica não começou na Administração.
Começou na linguagem.
Formei-me em Letras pela Universidade de São Paulo, estudando língua portuguesa, língua inglesa, linguística, literatura e os processos pelos quais as pessoas constroem significado, interpretam a realidade e organizam suas relações com o mundo.
Durante anos atuei como empreendedora, executiva, consultora e educadora. Vivi os desafios da gestão, da criação de negócios, da tomada de decisão e da construção de organizações em contextos de elevada complexidade.
Ao retornar à universidade para desenvolver pesquisas em Estratégia e Gestão de Negócios, percebi que muitas das questões que enfrentávamos nas organizações não podiam ser explicadas apenas por modelos econômicos ou financeiros.
Empresas são sistemas sociais.
São construídas por pessoas, relações, narrativas, conhecimentos, conflitos, expectativas e interdependências.
Foi dessa inquietação que surgiu minha agenda de pesquisa.
Meus estudos investigam como organizações criam valor em contextos complexos, como desenvolvem capacidades para gerir múltiplos stakeholders, como empreendedores constroem novos mercados e como sistemas econômicos podem contribuir para a regeneração de territórios, comunidades e ecossistemas.
Ao longo dessa trajetória, minhas pesquisas passaram a conectar temas como estratégia, empreendedorismo, inovação, sustentabilidade, stakeholders, deep tech e regeneração.
Hoje, desenvolvo pesquisas na interface entre organizações, inovação e sistemas vivos, buscando compreender como empresas, empreendedores, governos, universidades, comunidades tradicionais e ecossistemas naturais podem cocriar novas formas de desenvolvimento.
Acredito que os grandes desafios do século XXI exigem novas formas de liderança, governança e colaboração entre diferentes atores sociais.
Estratégia não é a negação da competição. É a busca por uma posição única, capaz de gerar valor econômico, social e ambiental de forma duradoura.
Mais do que estudar organizações, procuro compreender como elas desenvolvem capacidades para criar valor em sistemas cada vez mais complexos e interdependentes.
Porque estratégia não é apenas escolher como competir. É decidir qual valor criar, para quem criar e como sustentá-lo ao longo do tempo.
É aprender a criar valor com e para a vida.